XI Simpósio Sankofa "Ancestralidade africana e territorialidades negras: diálogos com a educação"

Em 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, o país relembra a morte de Zumbi dos Palmares. Zumbi foi um dos maiores líderes do conjunto de comunidades denominada Quilombo de Palmares - território hoje no estado de Alagoas -, organizadas inicialmente no fim do século XVI e que se mantém ao longo do século XVII, como forma de existência autônoma. Palmares funcionava como um Estado africano, de maioria banto, em resistência ao regime de escravidão em massa da população africana e afrodescendente, já nos primeiros séculos do Brasil colônia.

O objetivo deste simpósio é tanto relembrar a história de resistência da população afro-brasileira, quanto também refletir sobre o presente, a partir da Educação e em diálogo com outras áreas do conhecimento. Assim, propõe-se compreender as conquistas já alcançadas em termos de igualdade em direitos e reconhecimento das diferenças étnico-raciais, mas também os obstáculos a superar, pela persistência do racismo, bem como debater as possíveis práticas que contribuam para sua superação.

O termo Sankofa - oriundo do povo Akan, grupo étnico da região da África Ocidental - representa a busca em seguir adiante, mas aprendendo sempre com o passado. Por essa razão escolhemos dar o nome de Sankofa a essa iniciativa da Curso de Pedagogia da FHO, que chega em 2026 em sua 11ª edição. A importância do tema "Ancestralidade africana e territorialidades negras: diálogos com a educação" se ancora na necessidade de desconstruir o persistente olhar eurocêntrico, que subestima as contribuições das civilizações africanas e reduz a alteridade (neste caso a diferença étnico-racial) a estereótipos. Assim, por meio da Educação, a proposta é partirmos da perspectiva dos territórios e do reconhecimento da ancestralidade africana presente em todas/os nós.

A compreensão das territorialidades negras/afro-brasileiras ajuda a evidenciar como os povos africanos - em especial das matrizes sudanesa, banto e do leste africano - foram sujeitos ativos na construção socioespacial, linguística e cultural do Brasil. A experiência do Quilombo de Palmares e as diversas formas de existir/resistir, como as práticas religiosas e a preservação do conhecimento tradicional, demonstram a resiliência contra a subalternização colonial e a marginalização do "outro".

Em cumprimento à LDB, em especial após as mudanças vindas com as Leis 10.639/2003 e 11.645/2008, o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira, bem como dos povos indígenas, atende ao imperativo ético de valorização da diversidade e para a Educação das Relações Étnico-Raciais. A 11ª edição do Simpósio Sankofa, iniciativa da Pedagogia - FHO, expressa um campo de diálogo para conhecer e propor caminhos de superação do racismo, também por meio da Educação, pelo reconhecimento da ancestralidade africana como dimensão pedagógica, que mais amplamente é parte de uma Educação Cidadã e para os Direitos Humanos.